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Entre a ficção científica e a poesia
Pega-se no livrinho, de capa verde, e fica-se logo de pé atrás.
O título, Angelus Novus (Manuscrito do Jovem Piloto), até se revela
atraente.
Mas perante o nome da editora (Edições Mortas) e da colecção
(Ninho de Lacraus) só se pode esperar o pior. Talvez histórias de
zombies e cadáveres esquisitos, talvez uma literatura escatológica
ou necrófila.
Pois bem, nada disso. Apesar das designações invulgares, este livro
de Joseph L. Angelo acaba por ser, apenas, uma curiosa aventura pelos caminhos
da ficção científica. Escondendo-se atrás das iniciais
que assinam a introdução, por sinal a parte mais interessante, o
autor conferiu ao seu personagem a verdadeira autoria do texto, projectando-o
no futuro (ano 2172). E que poderá o leitor esperar das breves páginas
deste conto?
Duas coisas: fragmentos do diário de um explorador espacial e poemas.
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Embora inconstante, com altos e baixos, o texto revela qualidades literárias
muito razoáveis (mais na prosa do que na poesia).
Só é pena que o fio narrativo seja tão vago, à beira
da incompreensibilidade. E que o conto seja tão curto. Curto demais, se
pensarmos nas poten-cialidades que a ideia original encerra.
Em: Jornal de Notícias- 28 Jun. 1995
Autor: Joseph L. Angelo,
"Angelus Novus", Edições Mortas
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